A
Mata Atlântica abriga em seus domínios uma
diversidade natural muito importante. Seus campos e matas
de altitude, mangues e restingas abrigam uma variedade de
animais que a transforma num dos ecossistemas de maior biodiversidade
do planeta, e também num dos mais frágeis.
Este patrimônio deve ser preservado a todo custo,
principalmente com uma maior conscientização
dos seus inúmeros visitantes, afinal cada detalhe
da mata está intimamente ligado à vida desse
conjunto natural.
Muitas de suas espécies são endêmicas.
Dos mamíferos que vivem na floresta, 39% somente
são encontrados nessa região. O mesmo se dá
com a maioria das borboletas, répteis, anfíbios,
primatas e aves. Graças ao desmatamento acelerado
que a Mata Atlântica sofre desde o século XVI,
muitas espécies estão ameaçadas de
extinção. Outras já foram dizimadas
com a perda de seu habitat, antes mesmo de chegarem a ser
conhecidas pela civilização. Hoje estão
catalogadas cerca de 400 espécies de aves, 183 de
anfíbios, 146 de répteis, e 131 de mamíferos.
Apesar dessa rica variedade, é bastante difícil
conseguir encontrar, observar, ou fotografar qualquer espécie
durante um passeio pela mata. Mas nem por isso, esse emaranhado
de árvores, trepadeiras, orquídeas, samambaias
e banhados deixa de ser um paraíso para os atentos
observadores de aves e peixes raros como o bagre cego, Pimelodella
kronei, exclusivo da águas do escuro ambiente das
cavernas. Em suas regiões mais altas, que ultrapassam
os 1.000 metros, encontram-se os campos de altitude, regiões
campestres de vegetação rasteira, onde vivem
aves como o quete, Poospiza lateralis, e o tibirro do campo.
Entre os 900 e 1.500 metros, onde a neblina característica
mantém elevado o nível de umidade, estão
as Matas de Altitude, ou Floresta Nebulosa, o habitat de
migração para aves como o beija-flor-preto-e-branco,
Melanothrochilus fuscus, e a saíra-lenço,
Tangara cyanocephala, e dos residentes sanhaço-frade,
Stephanophorus diadematus, e o estalinho, Phylloscartes
dificilis. E, ainda, o sagüi-da-serra-escuro, Callithrix
aurita, e a perereca, Brachycephalus nodortega.

A Floresta de Encosta, abaixo de 900 e até 50 metros
de altitude, onde a cobertura vegetal é bastante
densa, com árvores ultrapassando os 30 metros de
altura, o deslocamento é bastante difícil,
e a maior ocorrência é de mamíferos
com hábitos arborícolas. Aí destacam-se
o grupo de primatas, com 20 espécies. O mais famoso
deles é o monocarvoeiro, Brachyteles arachnoides,
o maior primata das Américas. Sua população
já chegou a 400 mil, mas hoje não passam de
400. Dividindo o chão úmido dessa mata, encontramos
mamíferos como a onça pintada, Panthera onça,
a onça parda, Puma concolor, a jaguatirica, Leopardus
pardalis, que dependem da Mata Atlântica para sua
sobrevivência. E ainda, antas, tamanduás, porcos-do-mato,
catinguelê, gambá-de-orelha-preta, cutias,
guaxinins, uma infinidade de cobras, jabutis, lagartos e
muito mais.
Descendo
em direção às planícies fluvio-marinhas
e nos depósitos de sopé de encosta, entre
figueiras, guapuruvus, caixetais, registra-se a presença
de aves endêmicas como o chocó, Carponis melanocephalus,
o jaó-do-litoral, Crypturelus noctivagus, e o mico-leão-de-cara-preta,
Leontopithecus caissara, um primata seriamente ameaçado
de extinção. A floresta de restinga e as encostas,
freqüentemente inundadas na época das chuvas,
é o ambiente propício para peixes e anfíbios,
muitos deles endêmicos.
E, por fim, os manguezais representam a base da fertilidade
das águas costeiras. Devido à alta concentração
de matéria orgânica nessas águas, trata-se
do fornecedor de energia ao conjunto de seres vivos que
compõem essa complexa cadeia alimentar. Ali acontece
a desova de peixes, crustáceos e moluscos. A população
residente de animais é restrita, representada por
caranguejos e moluscos. As garças, gaivotas, mergulhões
e guaxinins também são assíduos frequentadores
dos mangues. |